Coopervap realiza primeira reunião do Comitê Educativo de 2026 em clima de transparência e orientação técnica

A primeira reunião do Comitê Educativo da Coopervap em 2026 foi marcada por um forte tom de realismo sobre o cenário do leite, aliado a mensagens de fé, união e foco na gestão eficiente da atividade leiteira. O encontro, realizado no início de janeiro, reuniu produtores, lideranças da cooperativa e técnicos, consolidando o espaço do comitê como fórum de diálogo e formação.

O encontro foi aberto com uma oração conduzida por um dos cooperados, pedindo sabedoria para as decisões da diretoria, proteção às famílias produtoras e melhores dias para o setor leiteiro. Em seguida, a palavra foi passada à diretoria da Coopervap, representada pelo presidente Valdir Rodrigues e pelo vice-presidente Lionel Oliveira.

Palavra da diretoria: transparência em tempos difíceis

Em sua fala inicial, Lionel Oliveira reforçou a postura de transparência da gestão diante da crise prolongada no preço do leite.

“2025 foi um ano desafiador para todos nós, tanto no leite quanto nos grãos. Nós tivemos sucessivas quedas de preço, e é importante deixar claro: isso não é um problema criado pela Coopervap. O mercado, influenciado por decisões de governo e cenário internacional, é que vem pressionando a nossa atividade”, afirmou o vice-presidente.

Lionel explicou aos cooperados que a cooperativa, sozinha, não tem poder para reverter o cenário de preços, mas vem fazendo o “dever de casa” para amenizar os impactos, utilizando outros negócios da Coopervap para sustentar, até onde é possível, o setor de leite.

Cada centavo que a gente segura no preço pago ao produtor vira dezenas ou centenas de milhares de reais de impacto dentro da cooperativa. Parece pouco quando olhamos um produtor que entrega 100 litros, mas quando falamos em 9 milhões de litros ao mês, estamos falando de um valor muito significativo. Se a gente tira isso da estrutura mês após mês, a cooperativa quebra, e aí não ajudamos ninguém”, alertou Lionel.

Já o presidente Valdir Rodrigues reforçou que a cooperativa não é banco nem entidade assistencialista, destacando a responsabilidade com todos os cooperados.

A Coopervap é uma intermediária séria. A gente compra, vende, intermedia, mas não tem como ‘bancar o mercado’. Se a cooperativa tentar sustentar preços que o mercado não suporta, coloca em risco os 3 mil produtores que estão aqui dentro”, enfatizou Valdir.

Na sequência, o presidente destacou que, mesmo em meio à crise, a Coopervap ainda pratica um dos melhores preços da região – em muitos casos, superior ao de outros laticínios –, embora isso ainda não seja suficiente para “fechar a conta” nas propriedades.

Hoje a gente já tem informação de leite sendo pago bem mais barato em outras praças, enquanto aqui o produtor ainda encontra uma condição melhor. Mas eu não vou subir aqui pra prometer aumento de preço só pra agradar. Seria irresponsável. O que eu posso garantir é transparência e trabalho sério”, disse Valdir.

O vice-presidente Lionel Oliveira também criticou a importação de leite em condições desleais, explicando de forma simples o conceito de dumping aos presentes:

É como se alguém abrisse um restaurante do lado do seu, vendendo a comida pela metade do preço só pra te quebrar, e depois que você fechar as portas ele volta a vender mais caro. É isso que estão fazendo com o nosso leite. Enquanto isso não for combatido com firmeza, a nossa cadeia produtiva continua sofrendo”, explicou Lionel.

Apesar do cenário, a diretoria demonstrou um otimismo moderado, apostando na retomada parcial do consumo ao longo do ano e reforçando que a cooperação entre boa gestão na cooperativa e eficiência dentro da porteira será decisiva para atravessar o momento.

Escolha de representantes para o comitê de eleição

Na sequência da pauta, o Comitê Educativo escolheu dois de seus membros para compor o comitê de eleição da Coopervap. Foram eleitos, por aclamação, os cooperados Jorge Albernaz Neiva (Jorginho) e Antônio César de França Pinheiro (Miozin).

A participação do Comitê Educativo no processo eleitoral foi destacada pela diretoria como uma forma de ampliar a representatividade e garantir que as decisões da cooperativa passem, cada vez mais, pelo crivo dos produtores.

“É importante que o Comitê Educativo esteja presente também nos momentos de escolha de direção, porque aqui estão os produtores que vivem a realidade do campo, que participam das palestras, que se informam e ajudam a multiplicar conhecimento”, ressaltou Lionel Oliveira.

Palestra técnica: planejamento da alimentação na seca

Encerrando a reunião, o técnico da Embrapa Cerrados, José Carlos Gonçalves da Rocha, ministrou a palestra “Planejamento da alimentação do gado no período da seca”, tema considerado estratégico num momento em que qualquer desperdício ou erro de manejo pode significar prejuízos ainda maiores para o produtor.

José Carlos abordou pontos como:

– Planejamento antecipado da safra de forragens, com definição de área para silagem e feno;
– Dimensionamento correto de volumoso por cabeça para todo o período seco;
– Importância da qualidade da silagem (ponto de corte, compactação, vedação e manejo do silo na retirada);
– Uso racional de concentrados, equilibrando custo e desempenho;
– Ajuste de lotação da fazenda à capacidade de suporte real da propriedade;
– Estratégias de suplementação mineral e proteica específicas para a seca.

O produtor não controla o preço pago pelo leite, mas controla a forma como produz esse leite. Em um cenário de margens apertadas, quem planeja bem a alimentação, reduz desperdícios e ajusta o tamanho do rebanho à sua capacidade de produção de alimento tem mais chance de atravessar a crise em pé”, destacou o técnico da Embrapa.

Integração entre gestão e tecnologia

Ao fim da reunião, a diretoria reforçou que o Comitê Educativo seguirá com uma programação em 2026 voltada a duas frentes principais: de um lado, esclarecer com transparência a realidade da cooperativa e do mercado; de outro, levar informação técnica de qualidade para melhorar o resultado dentro da porteira.

A gente sabe que a conta não está fechando para ninguém, inclusive para nós que também somos produtores. Mas se unirmos gestão responsável na cooperativa com tecnologia e planejamento nas fazendas, aumentamos muito as chances de atravessar esse momento difícil”, concluiu Valdir Rodrigues, agradecendo a presença de todos e reforçando o convite para as próximas reuniões do Comitê Educativo.

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