Aconteceu nesta segunda-feira, 3 de novembro, a reunião mensal do Comitê Educativo da Coopervap. O encontro teve início com uma oração e, em seguida, a palavra da diretoria — representada pelo presidente Valdir Rodrigues e pelo vice-presidente Lionel Oliveira — além de uma palestra especial com o enfermeiro Vinícius Vieira, que abordou temas relacionados à prevenção e saúde do homem, em alusão ao Novembro Azul. O encerramento contou com um bate-papo com o conselheiro administrativo da cooperativa, Marcos Rogério Miranda, sobre o mercado do leite, os números da captação e os impactos das importações no setor.
Durante sua fala, o presidente Valdir Rodrigues fez um discurso emocionado e realista sobre o momento delicado vivido pelos produtores de leite em todo o país. Ele iniciou destacando a importância da gratidão e da fé, mesmo em tempos desafiadores.
“Temos muitos motivos para agradecer a Deus. Vivemos numa região privilegiada e acordar com saúde já é uma bênção. Mas é com tristeza que digo: estamos atravessando um dos piores momentos da história do produtor rural brasileiro”, afirmou.
Valdir alertou para a grave crise causada pelo aumento das importações de leite, que têm desvalorizado o produto nacional e afetado diretamente os pequenos produtores.
“O produtor de leite está sufocado. O excesso de importações jogou o nosso negócio no fundo do poço. Houve um total desrespeito ao produtor, que é, em sua maioria, da agricultura familiar”, destacou o presidente.
Segundo ele, a Coopervap tem se esforçado para minimizar os impactos dessa crise, mesmo diante de um cenário insustentável.
“Nós seguramos o preço o quanto foi possível, mas chegamos ao limite. Fizemos uma redução de R$0,22 no litro do leite, garantindo que ninguém receba menos de R$1,90. Mas, se o cenário não mudar, não conseguiremos manter isso por muito tempo”, completou Valdir.
O presidente também ressaltou que a responsabilidade pela situação atual recai principalmente sobre o governo federal.
“O governo não tem ouvido o produtor, não conversa com quem coloca comida na mesa dos brasileiros. Enquanto isso, o leite importado entra no país com facilidade, destruindo o trabalho de quem produz aqui”, desabafou.
Já o vice-presidente Lionel Oliveira reforçou a gravidade do momento e lembrou que tanto ele quanto o presidente também são produtores e sentem na pele as mesmas dificuldades.
“A conta não fecha. O produtor que disser que está conseguindo equilibrar as finanças está fazendo milagre”, disse Lionel.
Ele explicou que, além da queda no preço, a exigência por qualidade do leite continua alta, o que aumenta os custos de produção.
“Mesmo com o preço baixo, as exigências sanitárias e de qualidade permanecem. E com razão, porque não podemos comprometer a credibilidade da cooperativa. Mas isso pesa muito para o produtor, que já trabalha com margens negativas”, comentou.
Lionel também fez um apelo à responsabilidade e à prudência dos cooperados neste momento.
“Não é hora de fazer grandes investimentos ou ampliar o rebanho. É momento de cortar custos e segurar o que for possível dentro da propriedade”, alertou.
O vice-presidente ainda destacou que o cenário é agravado pela competitividade desleal com o leite estrangeiro.
“Lá fora, o custo de produção é muito menor. Aqui, enfrentamos altos custos e pouca valorização. Se o governo não agir para conter as importações, corremos o risco de ver o leite nacional desaparecer do mercado”, afirmou.
A palestra do enfermeiro Vinícius Vieira, alusiva à campanha Novembro Azul, trouxe um momento de reflexão e conscientização sobre a importância da prevenção à saúde do homem, especialmente no combate ao câncer de próstata e outras doenças que podem ser evitadas com acompanhamento médico. Valdir fez questão de agradecer pela participação e reforçar o valor do autocuidado.
“Prevenção é vida. Temos que cuidar da saúde para continuar lutando e vencendo os desafios do dia a dia”, completou o presidente.
O encontro foi encerrado com a fala do conselheiro Marcos Rogério Miranda, que trouxe dados sobre o mercado e a captação de leite, além de uma análise dos impactos que as importações vêm gerando sobre os produtores locais.
A Coopervap reafirma seu compromisso com o cooperativismo e com a valorização do produtor rural, mesmo em meio às adversidades.
“Seguimos firmes, acreditando que dias melhores virão”, concluiu Lionel Oliveira.








